VOZES DO ALÉM

Essas vozes e impressões que surgem dos mundos que criamos - o caos, a fragilidade, o silêncio e as névoas - formam o pão de cada dia...a realidade que se move e se expande.

Minha foto
Nome:
Local: SJRP, SP, Brazil

Brazilian singer & songwriter...

Terça-feira, Agosto 12, 2008

O Mundo como Princípio

Porque tanta coisa fica fora do lugar? Uma enxurrada de peças desordenadas insiste em me perguntar de coisas que não entendo. Os caminhos que tomei e devo seguir, questões para repensar, mudar, abandonar e, sobretudo, minha falta de gosto pela vida. Porque não consigo me divertir como a maioria das pessoas? porque não consigo sorrir, ser feliz, e porque essa sombra me persegue? O que fiz de errado, se a culpa deveras for minha? Não mais sei por onde recomeçar, nem como obter clareza. Tenho a sensação de que vivo um enorme quebra-cabeça insano, que jamais terá encaixe. E sobrevivo na agonia desse hiato. Olho para os outros e todos parecem contentes onde estão. E meu não-lugar me convida a me retirar. Acho que vivo em qualquer outro lugar que não este. Será apenas a preguiça de crescer? Ou essa voz que trago aqui dentro sinaliza um grito descontente, temeroso pelo que há de vir. Às vezes sinto que crescer, como diz o estereótipo social, é apenas abandonar pulsões genuínas que se remexem por dentro, e aprender a calar estes mundos internos, para poder andar e rodar as engrenagens. Mesmo que não as entendamos bem, ou ainda que nos iludamos quanto a seus princípios. O mundo tal como instituição social possui algum princípio que não a busca pelo capital? Ouço ao que dizem e mesmo assim minha crença não vai além da esquina. Em outros cantos há milhões de mensagens, há vias subterrâneas e rotas alternativas - há tantos outros discursos que apresentam diferentes prismas da mesma fé. Portanto, como aceitar o singular se é no plural que entendo o mundo?  Como escolher o que quer que seja neste mundo imenso, plural e relativo? Voltamos aos atos de névoas e silêncio. Protejo-me do mundo com esse escudo indecifrável, fruto da minha eterna irreverência irresponsável, da minha falta de empenho, desse egocentrismo estúpido. Já não sei mais se sinto o que sinto apenas por mim, ou se há também uma ponta de altruísmo nisso tudo. Nesse enorme coração que se fere e lamenta e pulsa há uma real partilha?

 

partilha

1 Comments:

Blogger Liza Menetti said...

Não acredito que seja necessário calar estas pulsões genuínas ou aprendermos a reprimir todos os nossos impulsos mais primitivos para vivermos em sociedade. Temos sim de abrir mão quando for chegada a hora, respeitar os limites que nossa existência nos impõe. Saber que não podemos tudo, que temos de renunciar a algumas coisas para podermos escolher outras. A escolha, assim com a renúncia são necessárias. É esta escolha que se configura como o pilar básico de nossa existência, pois é ela que dá (e tira) o sentido de nossa vida. E, para chegar a ela, só dispomos de uma coisa: o que, em psicanálise, chamamos desejo: essa força motriz, somente sua, particular, que lhe diferencia da multidão, que te impulsiona para o movimento, para o devir, para a satisfação (não é muito, não é grande coisa, mas afinal, podemos pouca coisa na vida msm). A verdadeira pulsão de vida. A questão é: como arrancá-la de dentro de nós e fazer com que sua "engrenagem" funcione para além de nossa inércia, preguiça, desgosto, desencanto e tantas outras pulsões de morte?

10:44 AM  

Postar um comentário

<< Home